14/04/2013

Nossa Senhora do Pilar - Ouro Preto - MG

      A construção da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, Matriz do bairro de Ouro Preto, foi iniciativa de duas Irmandades associadas: a do Santíssimo Sacramento e a de Nossa Senhora do Pilar, fundadas no mesmo ano de 1729. Essas Irmandades, de homens brancos, eram ricas, e decidiram construir sua igreja quase ao mesmo tempo que a outra Matriz, a de Vila Rica da Conceição de Antônio Dias. declarou ser do Sargento-mor Engenheiro Pedro Gomes Chaves. Sabemos com segurança, que lhe deu o projeto da capela-mor, por documento de 2 de agosto de 1741. A construção da igreja foi iniciada, conservando-se a capela-mor da primeira construção de taipa. Simão Ferreira Machado, a pedido dos irmãos pretos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, escreveu uma pitoresca descrição, muitas vezes citada. 



    Pombal arrematou essa modificação, que incluía indenização, além do aumento resultante das modificações. Conseguiu passar a obra do Pilar para Antônio dos Santos Portugal, encarregado de terminar as obras. Há um outro contrato, em 1745, aparentemente menos importante, mas pelo qual se deduz que a igreja seria elevada acima do nível atual: o mestre pedreiro José Pereira dos Santos, encarregado do conserto da escada da porta principal "que desce para a rua de baixo", e de uma outra, na porta travessa. Manuel Fernandes da Costa foi encarregado de administrar a obra grossa, que acabou sendo contratada com José Veloso do Carmo, que ali trabalhou de 1826 a 1828. Em 1847, voltou Fernandes da Costa, desta vez como executor do frontispício. Este foi concluído em 1848, junto com a torre da epístola, e a torre do evangelho ficou acabada em 1852. Por aí verifica-se como, até a metade do século XIX, permanecia vivaz ainda a tradição do rococó. Quanto à capela-mor foi contratada com Francisco Xavier de Brito, mestre escultor e entalhador português, vindo do Rio de Janeiro, onde foi o executor de uma obra-prima: a talha da igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, no morro de Santo Antônio, Brito trabalhou na igreja do Pilar entre 1746 e 1754, consequentemente em época na qual Antônio Francisco Pombal já estava praticamente afastado da obra. 
        
         Ao fim dos trabalhos da capela-mor, por sua vez. Diversas questões surgiram, posteriormente, quanto a erros de construção na carpintaria do "zimbório" da capela-mor, ou melhor, as abóbadas ogivais (em cruzeiro de ogivas) que formam o forro da capela. A igreja muito tem sofrido ultimamente tanto pela natureza do terreno como das intempéries. A seguir, simetricamente, a fachada volta ao plano, paralelo ao avanço da portada e parte central do frontão. O conjunto de cantaria, de tom dourado, faz contraste com as superfícies caiadas: esplendor da pedra e o ascetismo da cal. Sempre presente ao espírito do tempo. Toma-nos de surpresa, transporta-nos do severo ao lírico, do recolhimento ao delírio da paixão. Por fim, a Paróquia do Pilar reuniu peças de arte religiosa num pequeno museu. Vale conhecer as alfaias, prataria, objetos do culto, peças de grande qualidade.



Maiores informações: http://ouropretoparoquiadopilar.com.br/