06/07/2011

Latim Vulgar - Baixo Latim

     Tem-se insistido na divergência que houve entre o latim e o latim vulgar, principalmente depois da gramaticização da fala popular feita em 1907 por C.H. Grandegent no seu precioso livro Introduction to vulgar latim (Introdução ao latim vulgar). Realmente, no século III a.C. a linguagem literária dos romanos entrou a codificar-se, e de certo modo a artificializar-se, de sorte que o povo já não a entendia nos últimos tempos. 
       
     O latim vulgar era a língua viva, que o povo, mais ou menos culto, espelhava por toda a bacia do Mediterrâneo, e que se deixava influenciar pelos idiomas das gentes que o adotavam. 

     Até o séc. VI da era cristã havia certa possibilidade de compreensão entre as províncias conquistadas. Porém, depois, e à medida que se apagavam as relações dos militares, dando lugar ao prestígio das organizações religiosas, o latim vulgar começou a distinguir-se nas diversas línguas neolatinas, praticamente estanques.
     
    Os escritores, juristas e advogados, enfim todos quantos eram obrigados a usar da linguagem escrita em suas profissões, insistiam em praticar o latim, que nem sempre conheciam bem, e que a todo momento tinha de fazer concessões a regionalismos bárbaros. Essa língua é o baixo latim.

     O latim vulgar, que jamais cessou de falar-se, está hoje transformado nas diversas línguas romances (italiano, provençal, francês, castelhano, português, romeno, etc.). O baixo latim continuou o latim propriamente dito, e foi instrumento dos intelectuais; cultivou-se ainda em plena Renascença, algumas vezes com grande brilho.

     A literatura da Roma antiga e dos países que lhe formavam o império constitui propriamente a denominada “literatura latina”: Roma (império romano); só por extensão essa literatura compreende também as literaturas de língua latina da Idade Média e da Idade Moderna, sobre que, em seguida, são tecidas algumas considerações.