29/06/2011

Origem e Evolução do Latim

O Português se origina do Latim que, por sua vez, integra a grande família das línguas indo-européias, entre as quais se encontram o grego, o sânscrito e o hitita.

   Do indo-europeu, nenhum documento escrito foi encontrado, inexistindo, praticamente, como idioma.

  Simples falar de um povo rústico que habitava o centro da Península Itálica, local denominado Lácio, o Latim desempenhou um papel importantíssimo na história da civilização ocidental.


   Mister se faz notar que essa bela língua polida e maestralmente manejada pelos grandes tribunos, escritores e poetas foi gradativamente burilada, partindo do primitivismo indo-europeu até atingir o seu esplendor no período áureo da literatura latina.




   Mas foi graças ás vitórias resultantes do espírito belicoso de seus soldados e em face da organização de seus homens de governo, que os romanos conseguiram ampliar esse enorme império, o qual, no apogeu do seu expansionismo, ia do norte da África à Grã-Bretanha, da Lusitânia à Mesopotâmia.

   Estendendo os seus domínios aos mais recônditos pontos das regiões dominadas, os romanos, ao tempo em que difundiam seus hábitos de vida, suas instituições e sua cultura, usufruíam, igualmente, os ensinamentos dos povos conquistados.

   A partir do século III a.c. e sob a influência grega, o Latim escrito foi, pouco a pouco, torneado em sua estrutura lingüística, atingindo, no século I a.C., sua mais alta perfeição com Cícero e César na prosa e Virgílio e Horácio na poesia. Em face disso houve um crescente distanciamento da língua literária, posta em prática por uma pequena elite, e da língua corrente, falada coloquialmente pelos mais variados grupos sociais.
Gradativamente o “sermo vulãris” ia se opondo ao “sermo eruditus”, sobrepondo-se a este em razão das inúmeras línguas que vão do polido falar profissional até ás gírias (sermo urbãnus, plebeius, rusticus, ruralis, quotidiãmus, castrensis, etc).

  Esse emaranhado de diferentes corruptelas do Latim foi levado para as regiões conquistadas pelos soldados, colonos e homens de governo e progressivamente diversificado num leque de diferentes falares, os quais, no século III, tomaram o nome de língua românicas.

   A partir do século IX, textos escritos nas diferentes línguas começaram a surgir, constituindo-se deste modo no surgimento do grande leque das línguas românicas ou  neolatinas, filhas diretas do Latim (francês, espanhol, italiano, sardo, provençal, rético, catalão, português, franco-provençal, dálmata, romeno).



   Portanto, afirmar ser o Latim uma “língua morta” é, no mínimo, enveredar por um desconhecimento linguístico. O Latim, diremos melhor, é uma língua em constante evolução. Ainda hoje tem ele emprego, em sua forma clássica, no estudo do Direito e a ele vão buscar arrimo as pesquisas aprofundadas da literatura dos povos evoluídos. A medicina e a física empregam o idioma grego antigo na sua moderna nomenclatura, mas a química tem no idioma latino todos os seus símbolos e a botânica, as suas classificações. E é graças a esse método que ambos as ciências conseguem perenizar a uniformidade de sua comunicação universal.

(Prof. Ari Othon Sidou, publicado na “Revista da Academia Brasileira de Letras Jurídicas” 1995)